PORTUCÁLIA

Abril 19 2012

A poetisa Cecilia Meireles (1901-1964)  contou de uma forma linda e real a história da Inconfidência Mineira.  Ela escolheu os principais  episódios e persongens e colocou-os  dentro dos seus 85  romances.  Aqui, no entanto, a palavra "romance"  não tem o significado que geralmente se atribui como sendo a história em prosa e um pouco longa com enredo.  Exemplos como o romance "Brás Cubas" de Machado de Assis ou " Os Maias" de Eça de Queiroz.  Romace aqui  é mais curto e  altera a forma poética com a forma em prosa.  Personagens como Chico-Rei, Chica da Silva,Contratador Fernandes, Joaquim Silvério,, Sapateiro Capanema, Alferes Vitoriano, Padre Rolim, Cláudio Manoel da Costa, Inácio Pamplona, Juliana Mascarenhas, Marília de Dirceu, Bárbara Eliodora  surgem e são descritos nas suas ações e nos seus caracteres.   Se se tem uma  idéia da inconfidência os "romances" podem ser lidos fora de sequencia.  Pode-se escolher e ler e reler os que achar mais lindos. Eu, por exemplo, considero o Romance Iv ou da "Donzela Assassinada" e o Romance XXIV , Da bandeira da Inconfidência como os mais  lindos.   Por isto transcrevo logo abaixo o romance IV da Donzela Assassinada.  Leia-o com calma,  pela imaginação veja a donzela no terreiro de sua casa e, se for possivel, tenha pena de um amor que foi tão brutalmente desfeito. 

 

 

Romance IV ou Da Donzela Assassinada

 

“Sacudia o meu lencinho

para estendê-lo a secar.

Foi pelo mês de dezembro,

pelo tempo do Natal.

Tão Feliz que me sentia,

vendo as nuvenzinhas no ar,

vendo o sol e vendo as flores

nos arbustos do quintal,

tendo ao longe, na varanda,

um rosto para mirar.

 

“Ai de mim, que suspeitaram

que lhe estaria a acenar!

Sacudia o meu lencinho

para estendê-lo a secar.

Lencinho lavado em pranto,

Grosso de sonho e de sal,

De noites que não dormira,

Na minha alcova a pensar,

- porque o meu amor é pobre,

de condição desigual.

 

"Era no mês de dezembro,

Pelo tempo do Natal.

Tinha o amor na minha frente,

Tinha a morte por detrás:

Desceu meu pai pela escada,

Feriu-me com seu punhal.

Prostrou-me a seus pés, de bruços,

Sem mais força para um ai!

Reclinei minha cabeça

Em bacia de coral.

Não vi mais as nuvenzinhas

Que pasciam pelo ar.

Ouvi minha mãe aos gritos

E meu pai a soluçar,

Entre escravos e vizinhos,

- e não soube nada mais.

 

"Se voasse o meu lencinho,

Grosso de sonho e de sal,

E pousasse na varanda,

E começasse a contar

Que morri por culpa do ouro

- que era de ouro esse punhal

que me enterrou pelas costas

a dura mão de meu pai –

sabe Deus se choraria

quem o pudesse escutar,

- se voasse meu lencinho

e se pudesse falar,

como fala o periquito

e voa o pombo torcaz...

 

"Reclinei minha cabeça

Em bacia de coral.

Já me esqueci do meu nome,

Por mais que o queira lembrar!

 

"Foi pelo mês de dezembro,

Pelo tempo do Natal.

Tudo tão longe, tão longe,

Que não se pode encontrar.

Mas eu vagueio sozinha,

Pela sombra do quintal,

E penso no meu triste corpo,

Que não posso levantar,

E procuro meu lencinho,

Que não sei por onde está,

E relembro uma varanda

Que havia neste lugar...

 

"Ai, minas de Vila Rica,

Santa Virgem do Pilar!

Dizem que eram minas de ouro...

- para mim, de rosalgar,

para mim, donzela morta

pelo orgulho de meu pai.

(Ai, pobre mão de loucura,

que mataste por amar!)

Reparai nesta ferida

Que me fez o seu punhal:

Gume de ouro, punho de ouro,

Ninguém o pode arrancar!

Há quanto tempo estou morta!

E continuo a penar.

publicado por portucalia às 15:39

Março 10 2012

A obra prima de Cecília Meireles, " Romanceiro da Inconfidência " foi editado, em edição de bolso, no ano passado e a preços módicos. O romanceiro consta de 85 "romances" onde toda a história da inconfidência mineira, suas intrigas, amores, corrupção, e ódios são contados em belíssimos versos que nos fazem lembrar a grande epopeia de Camões no " Os Lusíadas". A apresentação é de Ana maria Lisboa de Mello, eminente linguista, e da própria Cecilia num longo artigo que conta como escreveu o Romanceiro. Esta editora, L&PM está prestando um grande serviço à cultura literária do Brasil com a publicação destes clássicos. Não perca a oportunidade de adquirir o Romanceiro para que voltando o relógio do tempo Você conheça melhor o que foi aquela conjura dos "mineiros" e que não deu certo.

publicado por portucalia às 14:02

Março 08 2012

 

 

 

 

 

Nem tudo é fácil

 



É difícil fazer alguém feliz, assim como é fácil fazer triste. 
É difícil dizer eu te amo, assim como é fácil não dizer nada
É difícil valorizar um amor, assim como é fácil perdê-lo para sempre.
É difícil agradecer pelo dia de hoje, assim como é fácil viver mais um dia. 
É difícil enxergar o que a vida traz de bom, assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua. 
É difícil se convencer de que se é feliz, assim como é fácil achar que sempre falta algo. 
É difícil fazer alguém sorrir, assim como é fácil fazer chorar. 
É difícil colocar-se no lugar de alguém, assim como é fácil olhar para o próprio umbigo. 
Se você errou, peça desculpas... 
É difícil pedir perdão? Mas quem disse que é fácil ser perdoado? 
Se alguém errou com você, perdoa-o... 
É difícil perdoar? Mas quem disse que é fácil se arrepender? 
Se você sente algo, diga... 
É difícil se abrir? Mas quem disse que é fácil encontrar 
alguém que queira escutar? 
Se alguém reclama de você, ouça... 
É difícil ouvir certas coisas? Mas quem disse que é fácil ouvir você?
Se alguém te ama, ame-o...
É difícil entregar-se? Mas quem disse que é fácil ser feliz? 
Nem tudo é fácil na vida...Mas, com certeza, nada é impossível 
Precisamos acreditar, ter fé e lutar 
para que não apenas sonhemos, Mas também tornemos todos esses desejos, 
realidade!!!

Cecília Meireles

publicado por portucalia às 23:28

PORTUCÁLIA é um blog que demonstra para os nossos irmãos portugueses como o governo brasileiro é corrupto. Não se iludam com o sr. Lula.Textos literários e até poesia serão buscados em vários autores.
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