PORTUCÁLIA

Maio 24 2012

Notícias

 

Há 50 anos, o cinema nacional ganhava o maior prêmio do cinema mundial em Cannes, sua única Palma de Ouro

No dia 27 de maio serão anunciados os filmes premiados na 65ª edição do prestigiado Festival de Cannes, que começa nesta quarta-feira. Mesmo sem representantes na mostra competitiva deste ano, o cinema brasileiro terá motivos para celebrar quatro dias antes. Na data, será comemorado o 50º aniversário da conquista da Palma de Ouro por “O Pagador de Promessas”, único longa do país até hoje a receber a maior honraria entregue em festivais de cinema. 

Produzido por Oswaldo Massaini e dirigido Anselmo Duarte, a adaptação da obra de Dias Gomes saiu-se vitoriosa diante de 34 concorrentes, entre os quais produções de peso como “O Anjo Exterminador”, de Luiz Buñuel; “O Processo de Joana D'Arc”, de Robert Bresson; e “Eclipse”, de Michelangelo Antonioni. “Na sessão para jornalistas, ‘O Pagador de Promessas’ já havia causado sensação, o que tornou a exibição da noite muito disputada. Ao final dela, todos gritavam ‘É o vencedor’”, conta o filho de Oswaldo e também produtor de cinema, Aníbal Massaini Neto. 

Para ele, “O Pagador de Promessas” ajudou a dar credibilidade ao cinema nacional e a estabelecer uma nova relação deste e com o público, já que ficava clara a sua capacidade de produzir filmes tão bons quanto os estrangeiros. Contribuiu ainda para elevar a autoestima do brasileiro, massageada no mesmo ano pelos títulos mundiais da Seleção Brasileira, do Santos e de Éder Jofre. 

“Anselmo e Oswaldo só chegaram ao Brasil 40 dias depois do festival, pois voltaram de navio. Mas a festa, tanto no dia do anúncio quanto no da chegada deles, foi digna do bicampeonato no futebol. Foram recepcionados com banda, receberam homenagens oficiais e desfilaram em carro aberto para milhares de pessoas”, lembra Massaini Neto.

Não foram poucos, porém, os percalços para que fosse filmada a brasileiríssima história do camponês Zé do Burro, que tenta cumprir a promessa de carregar uma cruz até a paróquia de Santa Bárbara, e é impedido pelo padre de levá-la ao altar, uma vez que o compromisso com a santa foi selado num terreiro de candomblé. 

Montada no teatro com sucesso pelo TBC, a trama despertou o interesse de Massaini e Duarte, que precisaram, entretanto, disputar o direito de adaptá-la para o cinema com o diretor do espetáculo, Flávio Rangel. “Amigos do Dias Gomes não viam com bons olhas a cessão dos direitos para o Anselmo, que era um galã e não um diretor”, diz Massaini Neto. 

Com a desistência de Rangel, Duarte finalmente consegue a autorização de Gomes, mas, antes de começar a filmar, Janio Quadros, que prometera apoio financeiro ao projeto, renuncia. Massaini, então, assume os custos da produção, rodada na Bahia. Também foi necessário substituir atores escalados inicialmente. Com pneumonia, Ana Maria Dias cedeu o papel de Rosa, a mulher de Zé do Burro a Glória Menezes (que, por sua vez interpretaria a prostituta Marli, personagem herdado por Norma Bengell). O diretor precisou também buscar já na Bahia um ator para viver o repórter que quer fazer de Zé do Burro uma voz a favor dos excluídos. Diante da impossibilidade de contar com o profissional que o interpretara nos palcos paulistas, encontrou Othon Bastos, que se dedicava ao teatro em Salvador.

“Na época, não sabia bem o que estava fazendo. Não tinha noção do sucesso que faria. À medida que filmávamos, percebíamos o seu potencial. O prêmio projetou a Bahia para o mundo todo e, nos anos seguintes, a escadaria da igreja e o bar em que rodamos receberam muitos turistas”, recorda Bastos, que se diz orgulhoso por ter participado da produção.

 

publicado por portucalia às 22:11

PORTUCÁLIA é um blog que demonstra para os nossos irmãos portugueses como o governo brasileiro é corrupto. Não se iludam com o sr. Lula.Textos literários e até poesia serão buscados em vários autores.
mais sobre mim
Outubro 2013
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5

6
7
8
9
10
11
12

13
14
15
16
17
18
19

20
21
22
23
24
25
26

27
28
29
30
31


pesquisar
 
blogs SAPO