PORTUCÁLIA

Abril 01 2012

MEDITAÇÕES" DE MARCO AURÉLIO (fragmentos)

Na vida de um homem, o seu tempo é apenas um momento, o seu ser um
fluxo incessante, os sentidos uma vela mortiça, o corpo uma presa dos vermes,
a alma um turbilhão inquieto, o destino, negro, e a fama, duvidosa. Em resumo,
tudo o que é do corpo, é como água corrente, tudo o que é da alma, como
sonhos e vapores; a vida, uma guerra, uma curta estadia numa terra estranha; e depois da fama, o esquecimento. Onde, pois, poderá o homem encontrar o
poder de guiar e salvaguardar os seus passos? Numa e só numa coisa apenas:
a Filosofia.

Sê como o promontório contra o qual as ondas quebram e voltam a quebrar; mantém-se firme até que, por fim, as águas tumultuosas à sua volta se rendem e vão descansar. «Que infeliz sou, o que me havia de acontecer!» De modo nenhum; diz antes, «Que feliz que eu sou em não ter ficado com azedume, mas antes inabalado pelo presente e sem receio do futuro». Aquilo podia ter acontecido a qualquer pessoa, mas nem todos ficariam assim sem azedume. (...) Eis, então, uma regra a recordar no futuro, quando alguma coisa te tentar a sentires-te amargo: não «Isto é uma infelicidade», mas «Suportar isto dignamente é uma felicidade».

A arte de viver é mais como uma luta do que como uma dança, na medida em que também exige uma postura de firmeza e de alerta contra qualquer investida inesperada.

Quando os homens são desumanos, cuida de não sentires em relação a eles o mesmo que eles sentem em relação aos outros seres humanos.

Apaga as tuas noções daquilo que imaginas ser doloroso e então o teu eu fica invulnerável. «O meu eu — o que é isso?» A tua razão. «Mas eu não sou todo razão». Seja; nesse caso, pelo menos que a tua razão se abstenha de causar dor a si própria, e se outra parte de ti está com problemas, que os pensamentos sobre si própria sejam só da sua conta.
Se estás perturbado por qualquer coisa exterior, o sofrimento não se deve à coisa em si mesma mas à avaliação que fazes dela; e isto está em teu poder anular em qualquer momento.
Um homem pode estar junto de uma límpida fonte de água doce e cumulá-la de palavras injuriosas; mas ela continua a jorrar água fresca e sã; ele pode mesmo conspurcá-la com imundícies e porcarias, mas ela dissolve-as logo e lava-as rapidamente, ficando sem mácula. Como é que havemos de ser, nós próprios, senhores de uma tal fonte perene? Salvaguardando o direito de sermos senhores de nós mesmos em todas as horas do dia. 
publicado por portucalia às 00:13

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