PORTUCÁLIA

Setembro 07 2013

 

As imagens têm mais força dissuasora do que os textos, mas perdem força quando a sua visibilidade diminui, alertam cientistas britânicos.

"Fumar mata" é uma das frases que se tornou habitual nas embalagens de cigarros PEDRO CUNHA

Quando as mensagens acerca dos perigos do tabagismo vêm na parte de trás das embalagens de cigarros, o seu impacto nos adolescentes como incentivo contra o tabagismo é quase sempre muito baixo – e nalguns casos quase nulo.

Esta é a principal conclusão de um estudo agora publicado online por uma equipa britânica na revista Tobacco Control.

Os cientistas basearam o seu estudo nas respostas de mais de mil jovens britânicos com idades entre os 11 e os 16 anos, recolhidas em duas “vagas” (respectivamente em 2008 e 2011) no âmbito de um grande inquérito sobre o tabagismo jovem. Os avisos textuais eram idênticos nas duas alturas, mas em 2011 já havia imagens a acompanhar alguns textos no dorso das embalagens (a prática tornara-se entretanto obrigatória no Reino Unido).

Crawford Moodie, da Universidade de Stirling, e colegas concluem que, para os jovens que nunca fumaram ou que apenas o faziam ocasionalmente, a força dissuasiva dos avisos contra o tabagismo aumentou naqueles três anos. Mas para os que já fumavam regularmente – os cerca de 10% de adolescentes que já consumiam pelo menos um cigarro por semana –, não houve mudanças significativas do impacto das mensagens como incentivo para deixar de fumar. Houve, pelo contrário, uma maior tendência destes jovens para esconder as embalagens da vista, evitando assim ter de olhar para elas.

No que respeita às imagens, sempre impressas na parte de trás dos pacotes – e tirando três imagens-choque que mostram os pulmões doentes, os dentes podres e os cancros do pescoço de fumadores de longa data –, a capacidade de os jovens se lembrarem delas foi globalmente inferior à 10%. E os avisos puramente textuais impressos no dorso, sem imagens a acompanhar, quase não deixaram rastos na mente dos inquiridos: tanto em 2008 como em 2011, menos de 1% dos jovens conseguiam lembrar-se deles.

“Os avisos precisam de ser salientes para serem eficazes e a colocação dos avisos visuais apenas do lado menos visível das embalagens limita o seu impacto”, escrevem os cientistas, que consideram ser preciso repensar a colocação das imagens de forma a aumentar o seu impacto.
 

publicado por portucalia às 15:29

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