PORTUCÁLIA

Junho 15 2013

As lições do tempo


15 de Junho, 2013

O sucesso que Angola regista no combate à pobreza foi reconhecido por organizações internacionais especializadas que trabalham todos os dias no terreno e não falam de cátedra ou escrevem disparates em alguns órgãos de informação ocidentais.

 

A realidade está aí e só não vê quem não quer, ou fala por desespero. Todos os problemas que existem em Angola têm solução. Mas os decisores políticos precisam de tempo. Pelo menos tanto, como aquele foi necessário para criar esses problemas.
Angola deve ser o país africano mais atacado pela imprensa ocidental e particularmente pelos órgãos de informação da antiga potência colonial, desde que acedeu à Independência. A realidade apontava para um quadro oposto. Bastava que os críticos aprendessem as lições do tempo. Que fossem capazes de perceber donde partimos e onde chegámos, à custa de tremendos sacrifícios. As elites portuguesas, em especial, tinham a obrigação de perceber isto, porque têm grandes responsabilidades na matéria. Podemos dizer que mais de dois terços dos nossos problemas estruturais se devem directa ou indirectamente à sua acção, conivência ou inacção.
Vamos à primeira lição do tempo. Durante séculos este país foi espoliado violentamente, dos seus melhores e mais qualificados recursos humanos. No esclavagismo perdemos o melhor da nossa juventude, os angolanos mais fortes e saudáveis. Naquela época essas eram as qualificações mais apreciadas: força e saúde. Quando Sá da Bandeira aboliu a escravatura, o comércio continuou durante pelo menos duas décadas, para o Brasil. Depois vivemos em regime de trabalho forçado, até praticamente à Independência. Para garantir a submissão dos novos escravos, eles eram afastados da educação. O ensino em Angola, até 1961, tinha uma expressão ridícula.
De 1961 até 2002, foi imposta aos angolanos uma guerra de destruição maciça. Não é preciso usar a Lanterna de Diógenes para encontrarmos os mandantes, executantes e apoiantes desta guerra. Portugal está em primeiro plano. Milhares de angolanos e portugueses sofreram no corpo e na alma a violência inusitada da guerra colonial.
Quem não é capaz de aprender esta lição, dificilmente aprende outra coisa.
Vamos para a segunda lição do tempo. Até 1961, era residual o número de angolanos nas escolas. E não existia ensino superior. Não estamos a falar da época de Diogo Cão ou de Salvador Correia de Sá e Benevides. Nem de Pedro Alexandrino da Cunha, o pai da Imprensa em Angola. Estamos a falar dos nossos dias. Em 1975, Angola não tinha quadros angolanos para gerir Luanda. E os poucos que existiam foram para Portugal, estimulados pelas pontes aéreas de Luanda e Huambo. Era a política traçada por Frank Carlucci e ciosamente executada por grandes figuras da democracia portuguesa. Nunca se viu democratas condenarem todo um povo à ignorância e à penúria. Mas de Portugal veio esse presente, em forma de felicitação pela Independência Nacional.
Um país que acede à Independência Nacional com mais de 95 por cento de analfabetos só consegue sobreviver se os seus filhos tiverem um suplemento de alma que os ajude a vencer as adversidades. Os angolanos conseguiram! Ninguém pode exigir de nós que façamos tudo perfeito ou até bem feito. Mas temos orgulho no que construímos, com erros, com defeitos de fabrico, com resultados longe do esperado e desejado. Para quem nada tinha, o pouco é imenso.
Terceira e última lição do tempo. Angola chegou à Independência Nacional numa situação dramática. Sem recursos humanos qualificados e com as poucas infra-estruturas existentes, destruídas ou obsoletas. Os servidores do regime colonial nunca primaram pela inteligência e nunca criaram empresas de capital intensivo. Como a mão-de-obra era quase gratuita, eles não se preocupavam com os ventos da modernidade. Perdemos todos com a tacanhez de espírito e a boçalidade dos ocupantes.
O regime de apartheid apostou destruir Angola pela guerra para colocar em cima dos escombros um regime fantoche. Centenas de quadros, entretanto formados no exterior, morreram nessa guerra de agressão brutal. Ficámos iguais ou piores do que em 1961. Alguns dos melhores filhos desta pátria, tombaram em sua defesa. Os recursos foram todos canalizados para o esforço de guerra. Ao mesmo tempo os “rebeldes” enriqueciam com os diamantes de sangue. E com o fruto do latrocínio, compraram em Portugal jornalistas, comentadores, juristas, economistas, empresários e alguns dos mais sonantes nomes da política.
Vivemos uma década de paz, é certo. Mas partimos de negativos! O rasgo, a inteligência e o patriotismo do Presidente José Eduardo dos Santos operaram as transformações extraordinárias que arrancaram da pobreza milhões de angolanos, levaram saúde e educação a todo o país, puseram a economia a crescer. Num momento em que no mundo há uma carência gritante de políticos da sua dimensão, compreendemos os ataques que lhe são feitos. Mas como patriotas, não perdoamos esses desaforos.

publicado por portucalia às 15:23

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