PORTUCÁLIA

Janeiro 28 2012

 

Antonio Ribeiro de Almeida (*)

 

Em fevereiro, nos dias 19,20 e 21 deste 2012,   o Carnaval estará de novo na vida do  brasileiro.  Mas o Carnaval de hoje é muito diferente dos carnavais  do século XX até os anos 50.  Antes de mostrar estas “diferenças”  comento  como as palavras têm um destino curioso.  Veja-se, primeiro, a etimologia da palavra “ carnaval” e como ela passou a significar o contrário do que  significa.  E, depois, ouso batizar, com licença dos etimólogos, que o carnaval  de hoje não passa de uma “bundalatria”.  Segundo o nosso Aurélio  a palavra “carnaval”  vem do latim “Carmem laxare” ou abster-se de carne enquanto o neologismo “ bundalatria”  vem de “bunda,do banto, a região das nádegas e latria , do latim, adoração”.  A televisão está sempre fazendo tomadas das mulheres que mostram em movimentos lascivos as suas bundas.  Os homens, demonstrando uma fixação anal- Freud explica -  agarram com os seus olhares as mulheres que mostram as bundas mais exuberantes.  A coisa chegou a tal ponto que o “rapper” Diddy, que esteve no Brasil em 2009 quando perguntado por um jornalista que recordações levava do Brasil, respondeu :  “ Brasil ?  Bundas, bundas e mais bundas” Quem mandou ele perguntar ? 

Os carnavais do passado não eram pornográficos e  traziam mensagens de crítica social, beleza e ironia.  Eram os carnavais dos pierrôs e das colombinas que jogavam serpentinas, confetes e alvejavam os foliões com o lança perfume da marca Rhodo. Mostro algumas pérolas cantadas nos blocos e nos salões.  Noel Rosa veio na década dos 30 cantando “ Com que roupa ?  Com que roupa eu vou ao samba que você me convidou.  “ É a lamentação de um rapaz pobre convidado por uma moça rica.  Já em 1938, Ciro de Sousa e Babaú compõem um samba que o DOPS consideraria subversivo. “ Trabalho, não tenho nada.  Não saio do miserê...Tenho feito força pra viver honestamente.  A década dos 40 é marcada por uma problemática social muito intensa.  Músicas como “ O trem atrasou”, de Vilarinho e Paquito e o “ Pedreiro Valdemar” demonstram o conflito das classes sociais.  Vejam esta letra “  Patrão, o trem atrasou.  Por isso estou chegando agora. Trago aqui memorando da Central.  O trem atrasou meia hora. O senhor não tem razão para me mandar embora.  O senhor tenha paciência, é preciso compreender. Sempre fui obediente, reconheço meu dever.  Um atraso é muito justo quando há explicação. Sou um chefe de família, preciso ganhar o pão.  Não me diga não.  “

Finalmente, os anos 50 revelam uma tomada de consciência social e de revolta contra o sistema.  Paquito e Gentil compõem “ Daqui não saio, daqui ninguém me tira, onde é que eu vou morar ?  “  É o grito dos sem teto

Hoje, o Carnaval passou a ser uma época de estupros, assassinatos, uso desvairado de drogas, desastres com mortes nas estradas.  Tudo isto é mostrado como um sinal de “liberação, modernidade”.  Os brasileiros das classes altas buscam refúgio nas fazendas, em outros países ou vendo filmes que alugam  nas locadoras.  Quem dera que eu pudesse voltar o ponteiro do tempo.  Convocaria Chiquinha Gonzaga e seu piano e pediria que cantasse “ Oh, abre Alas”  Ela e Lamartine de Babo cantariam suas marchinhas imortais e ensinariam às gerações de hoje a alegria pura, simples e bela dos carnavais de antigamente. 

 

(*) Doutor em Psicologia Social e professor aposentado da USP - campus de Ribeirão Preto, e-mail ribercor33@hotmail.com  

publicado por portucalia às 17:59

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