PORTUCÁLIA

Abril 30 2013
Veja como os japoneses conquistaram Rio Preto
São José do Rio Preto, 18 de junho de 2008 
  Thomaz Vita Neto  
Neta de japoneses, Érika Carmona é apaixonada pelos mangás

Michelle Berti e Vivian Lima

“Foram 45 dias em um navio bem grande. Foi uma viagem emocionante, mas triste. A tia que me cuidou ficou chorando na plataforma. Chegando ao Brasil, tudo estranho e diferente. E daí começou vida nova.” Com estas palavras, a imigrante Matsue Mikita Hattori, 77 anos, descreve sua chegada ao Brasil, no dia 3 de novembro de 1937. Como ela, outros tantos japoneses deixaram para trás o país de origem e a família e partiram para o Brasil em busca de um sonho: a prosperidade, que imaginavam encontrar em meio aos pés de café. Mas antes da chegada de Matsue, outros imigrantes pioneiros já tinham sentido o choque cultural pelo qual ela passou na década de 30. Os primeiros 781 japoneses vinculados ao acordo imigratório estabelecido entre Brasil e Japão pisaram em solo brasileiro no dia 18 de junho de 1908. Há exatamente cem anos. Desembarcaram em Santos depois de uma longa viagem a bordo do navio Kasato Maru. Já a chegada à região de Rio Preto ocorreu quase uma década depois do primeiro desembarque em porto brasileiro.

A vinda dos imigrantes foi motivada pelo desemprego e outros problemas econômicos que assolaram o Japão. A intenção dos japoneses era trabalhar cerca de cinco anos e depois retornar para a terra natal. Mas o destino se encarregou de impedir que muitos completassem esse desejo. Com as mãos que por tantos anos trabalharam na lavoura brasileira, Matsue escreveu uma espécie de biografia, memórias de uma vida difícil que ficarão gravadas em pouco mais de 15 páginas de um caprichoso caderno verde. Ao mesmo tempo em que registrou a própria história, Matsue, que mora em Rio Preto, escreveu capítulos da vida de muitos japoneses que vieram em busca de nova vida no Ocidente. “Hoje, ao olhar para trás, sei o quanto sofremos. Mas a vontade de vencer era tanta que nem sentíamos as dores dos momentos difícieis”, afirma a senhora. Em um dos trechos de suas lembraças, ela escreve: “Que sofrimento. Muitas vezes olhava para o céu e perguntava a razão dessa vida sofrida. Levantava os dois braços para cima e dizia: me ajuda Senhor.”


Divulgação
781 estrangeiros orientais cruzou o mundo no navio Kasato Maru e completa hoje um século de chegada ao País 

A chegada ao Brasil
As dificuldades começaram na adaptação a uma terra nova, com clima, hábitos e línguas diferentes. “Meus pais eram vizinhos de brasileiros e não entendiam nada do que eles diziam.” Junto dela e dos pais, vieram também as irmãs Fukyoko (chamada de Florinda), Kyoko (chamada Célia) e mais dois tios. A família foi trabalhar na fazenda Tonani, no município de Olímpia. Ela descreve a colônia como um lugar de “casas simples e humildes, com tábuas muito feias e telhas de modelo antigo.” Nos dois primeiros anos, a colheita foi boa, e o sonho de voltar para o Japão ficava mais próximo. Mas quando, no quarto ano, a família arrendou terra para plantar, o destino de sorte mudou. Os tios partiram para outras fazendas, a mãe ficou doente, com tifo. As lembranças deste tempo são sombrias. “A lamparina de querosene que usava para clarear parecia que não clareava nada. Estava tudo escuro e vazio dentro do coração.” Com a mãe doente, as filhas ficaram responsáveis pela comida, preparada em um fogão de tijolos. O pai vendeu os porcos e todos os guarda-chuvas de casa (deixando apenas um) para comprar remédios para a mãe.Quando ela se recuperou, foi o pai que adoeceu. Ele teve apendicite.
Sérgio Menezes
Matsue e o marido Tokio Hattori: vida de muito trabalho e superação no Brasil 


A família se mudou para Guaraci, mas a ausência de vizinhos fez com que eles trocassem a roça de algodão por um arrendamento entre Fernandópolis e Votuporanga. Nesta época, a mãe de Matsue teve mais cinco filhos. Matsue, com 19 anos, “trabalhava como homem na lavoura, sempre acompanhando o pai.” No ano de 1951, a jovem e a irmã Florinda casaram-se. Matsue conta, encabulada, que na época um casamenteiro arranjava os enlaces entre as famílias japonesas. Ela se casou com Tokio Hattori, cuja história de vida é semelhante: ele veio para o Brasil com quase cinco anos e trabalhava na lavoura próximo de Morro Agudo (na região de Ribeirão Preto). O trabalho na roça fez com que Tokio desenvolvesse uma alergia aos agrotóxicos. Com isso, a família, que já contava com quatro filhos, mudou-se para Rio Preto, onde ele foi trabalhar em uma fábrica de óleo. Ela dedicava-se à horta e às crianças. Apesar das dificuldades que não pararam de surgir (o marido teve um grave problema de coluna devido ao trabalho), eles se consideram pessoas abençoadas hoje. “Mas nós estamos bem. Somos aposentados e vivemos com a ajuda dos filhos. Nos divertimos com gateball, esporte oriental. Estamos felizes, graças a Deus. E a vida continua.”
Sérgio Menezes

>> TOSHIMI ONISHI 
Nasceu no dia 30 de julho de 1917 em Mie Ken, Japão. Chegou ao Brasil no dia 27 de maio de 1926. De Santos foi trabalhar na lavoura de café na fazenda Santa Adélia, na região mogiana. orou nas cidades de Marília e Barretos e veio para Rio Preto no ano de 1966. Casou-se com Sumyo Onishi com quem teve os seguintes filhos: Toshico, Iooji, Pedro, Renata e Paulo. Tem cinco netos e um bisneto.
 
publicado por portucalia às 17:28

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