PORTUCÁLIA

Fevereiro 15 2013

XI PROGRESSO E ATRASO


Dadas as explicações do capitulo precedente, voltemos ao nosso memorando, de quem por
um pouco nos esquecemos. Apressemo-nos a dar ao leitor uma boa noticia: o menino desempacara
do F, e já se achava no P, onde por uma infelicidade empacou de novo. O padrinho anda
contentíssimo com este progresso, e vê clarear-se o horizonte de suas esperanças; declara
positivamente que nunca viu menino de melhor memória do que o afilhado, e cada lição que este da
sabida de quatro em quatro dias pelo menos e para ele um triunfo. Há porem uma coisa que o
entristece no meio de tudo: o menino tem para a reza, e em geral para tudo quanto diz respeito a
religião, uma aversão decidida; não e capaz de fazer o pelo-sinal da esquerda para a direita fá-lo
sempre da direita para a esquerda, e não foi possível ao padrinho, apesar de toda a paciência e boa
vontade, fazê-lo repetir de cor sem errar ao menos a metade do padre-nosso; em vez de dizer “venha
a nos o vosso reino” diz sempre “venha a nos o pão nosso”. Ir a missa ou ao sermão e para ele o
maior de todos os suplícios, isto faz que o padrinho desespere as vezes, e ate chegue a concordar
com a comadre em que o menino não tem jeito para clérigo; porem são nuvens passageiras; sempre
há isto ou aquilo que faz renascer todas as esperanças; e o homem caminha animado na sua obra.
O que ele porem esperava não esperavam todos, e ninguém via no menino senão um futuro
peralta da primeira grandeza; quem mais contava com isso era a vizinha do barbeiro, aquela a quem
ele chamava o agouro do pequeno. Era a tal vizinha uma dessas mulheres que se chamam de faca e
calhau, valentona, presunçosa, e que se gabava de não ter papas na língua: era viúva, e importunava
a todo o mundo com as virtudes do seu defunto. Serrazina e amiga de contrariar, não perdia ocasião
de desmentir o vizinho em suas esperanças a respeito do afilhado, declarando que não lhe via jeito
para coisa nenhuma, que não queria para coisa que lhe pertencesse o fim que ele havia de ter, e que
quando ele crescesse o melhor remédio era dar-lhe com os ossos a bordo de um navio ou por-lhe o
côvado e meio às costas. O barbeiro desesperava com isso; por muito tempo conseguiu conter-se,
porém um dia não pôde mais, e disparatou com a sujeita. Chegando por acaso à porta da loja, a
vizinha que estava à janela disse-lhe em tom de zombaria:
— Então, vizinho, como vai o seu reverendo?
Um velho que morava defronte, e que também se achava à janela, desatou a rir com a
pergunta.
O compadre foi às nuvens, avermelhou-se-lhe a calva, franziu a testa, porém fez que não
tinha ouvido. A vizinha pôs-se também a rir, percebendo o cavaco, e acrescentou
— Padre amigo do fado... tem que ver... Quando vai ele outra vez à casa dos
ciganos?
O velho defronte redobrou a risada. A vizinha continuou:
— Então ele já encarrilha o padre-nosso?
O compadre exasperou-se completamente; e estudando uma injúria bem grande para
responder, disse afinal:
— Já... já... senhora intrometida com a vida alheia... já sabe o padre-nosso, e eu o
faço rezar todas as noites um pelo seu defunto marido que está a esta hora dando coices no
inferno!...
— Hein?... o que é que você diz, senhor raspa-barbas? você mete terceiros na
conversa? disse a vizinha encrespando-se; olhe que esse de quem você fala nunca foi sangrador,
nem viveu de aparas de cabelos... Não se meta comigo que hei de lhe dizer das últimas e pôr-lhe os
podres na rua... Coices no inferno!!! ora dá-se? um santo homem... Coices no inferno... Pois agora
saiba, porque eu cá não tenho papas na língua, que o tal seu afilhado das dúzias é um pedaço de um
malcriadão muito grande, que há de desonrar as barbas de quem o criou... E não tem que ver,
porque ele é de má raça... já ouviu? não se meta comigo...
— E você, respondeu o compadre enquanto a vizinha tomava fôlego, por que se mete
com o que não é da sua repartição?
Ela prosseguiu:
— Hei de me meter; não é da sua conta, nem venha cá dar regras, que eu não preciso
de você...
— Mas o que tem você que entender com uma criança inocente que nunca lhe fez
mal?...
— Tenho muito, porque não me deixa parar os telhados com pedras, faz-me caretas
quando me vê na janela, e trata-me como se eu fosse alguma saloia ou mulher de barbeiro...
Digo-lhe e repito-lhe... aquilo tem maus bofes, e não há de ter bom fim...
— Está bom, senhora, respondeu o compadre que tinha bom gênio, e que só fora
levado àquele excesso pelo amor do afilhado; basta de rezingas, olhe a vizinhança.
— Ora, tomara a vizinhança ver-se livre do tal diabo...
O menino chegou nessa ocasião à porta, e pondo-se na ponta dos pés, esticando o pescoço, e
abanando-o como a vizinha e imitando-lhe a voz, repetiu:
— Ver-se livre do tal diabo...
O compadre achou tanta graça, que deu-se por vingado, e desatou a rir por seu turno.
— Ah! disse a vizinha, agradece a boa vontade, meu diabo em figura de menino; tu
não tens a culpa; a culpa tem quem te dá ousadias.
— A culpa tem quem te dá ousadias... repetiu o menino arremedando.
O compadre ria-se a perder.
A vizinha desesperada bateu com o postigo e recolheu-se, porém por muito tempo falou em
voz alta, de maneira que toda a vizinhança ouvia, dizendo quanto impropério lhe veio à cabeça
contra o barbeiro e o menino.
— O pequeno encheu-me as medidas, disse este consigo, vingou-me desta; agora
falta-me aquele velho de defronte que também a acompanhou na risota; mas não faltará ocasião.
Esqueceu-nos dizer que o barbeiro, apesar de ter sabido, pouco se importara com a prisão do
Leonardo, e referindo-se à causa da infelicidade deste, dissera apenas:
— É bem feito, para ele não se deixar arrastar para toda parte agarrado em quanto
rabo-de-saia lhe aparece.
Nem foi à cadeia visitá-lo, nem levar-lhe o filho para tomar a bênção, o que a comadre
muito reprovou quando soube.
O velho tenente-coronel, depois de ter posto na rua o Leonardo, informado miudamente,
como sabe o leitor, pela comadre do destino da Maria, decidiu tomar o menino sob sua proteção, e
acreditou que, se conseguisse felicitá-lo, lavaria seu filho do pecado de ter desonrado a Maria. Por
intermédio da comadre mandou oferecer ao compadre seu préstimo em favor do pequeno,
mandou-lhe propor até que o deixasse ir para a sua companhia. O compadre porém não esteve por
isso de modo nenhum, e até se prometeu aceitar para qualquer outra coisa a proteção do
tenente-coronel foi a instâncias da comadre.
— Não quero, dizia ele, que me roubem o gosto de tê-lo feito gente; comecei a
minha obra, hei de acabá-la.
— Homem, retorquira-lhe a comadre, você faz mal; olhe que o velho é homem de
representação; veja como ele com duas voltas e meia pôs o Leonardo na rua.
— Nada, não hei de dar o gostinho aqui a esta súcia da vizinhança; hei de eu mesmo
fazer a coisa por minhas mãos. Lá se o tenente-coronel quiser fazer alguma coisa por ele, aceito;
mas quanto a tirá-lo da minha companhia, isso nunca. Agora já é birra; hei de levar a minha avante

publicado por portucalia às 20:52

Fevereiro 15 2013

Explosão de meteoro deixa mais de 1.000 feridos na Rússia

O meteoro, que se pulverizou sobre o centro da Rússia, tinha cerca de dez toneladas e viajava a 30 quilômetros por segundo

Oleg Kargopolov/AFP

Danos à loja em Cheliabinsk por causa de meteoritos, 15 de fevereiro, 2013

 

Loja em Cheliabinsk danificada pela queda do meteorito: não houve registros de mortes

 

Chelyabinsk - Um meteoro cruzou o céu e explodiu na sexta-feira sobre o centro da Rússia, espalhando bolas de fogo por uma vasta área e provocando uma onda de choque que estilhaçou vidraças, danificou edifícios e deixou mais de 1.000 feridos.

Pessoas a caminho do trabalho em Chelyabinsk escutaram uma explosão, viram uma luz brilhante e então sentiram a onda de choque, segundo um correspondente da Reuters nessa cidade industrial 1.500 quilômetros a leste de Moscou.

A bola de fogo, que de acordo com a agência espacial russa viajava a 30 quilômetros por segundo, queimou sobre o horizonte, deixando uma trilha de fumaça branca visível a até 200 quilômetros.

Alarmes de carros dispararam, milhares de vidraças se quebraram, e os telefones celulares pararam de funcionar. O Ministério do Interior disse que a explosão do meteoro, um espetáculo raríssimo, também desencadeou um estrondo sônico.

"Eu estava dirigindo para o trabalho, estava bastante escuro, mas aí de repente ficou claro como se fosse dia", afirmou Viktor Prokofiev, 36 anos, que mora em Yekaterinburgo, nos montes Urais. "Eu me senti cegado pelo clarão." O meteoro, que pesava cerca de dez toneladas e pode ter sido constituído de ferro, entrou na atmosfera terrestre e se pulverizou entre 30 e 50 quilômetros de altitude, segundo a Academia de Ciências da Rússia.

Não houve relatos de mortes, mas o Ministério de Emergências disse que 20 mil funcionários foram enviados à região para trabalhos de resgate e limpeza.

O Ministério do Interior informou que houve cerca de 1.200 feridos, sendo pelo menos 200 crianças, a maioria por estilhaços de vidro.

publicado por portucalia às 20:48

PORTUCÁLIA é um blog que demonstra para os nossos irmãos portugueses como o governo brasileiro é corrupto. Não se iludam com o sr. Lula.Textos literários e até poesia serão buscados em vários autores.
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