PORTUCÁLIA

Janeiro 06 2013

III DESPEDIDAS ÀS TRAVESSURAS

 


O Leonardo abandonara de uma vez para sempre a casa fatal onde tinha sofrido tamanha
infelicidade; nem mesmo passara mais por aquelas alturas; de maneira que o compadre por muito
tempo não lhe pôde pôr a vista em cima.
O pequeno, enquanto se achou novato em casa do padrinho, Portou-se com toda a sisudez e
gravidade; apenas porém foi tomando mais familiaridade, começou a pôr as manguinhas de fora.
Apesar disto porém captou do padrinho maior afeição, que se foi aumentando de dia em dia, e que
em breve chegou ao extremo da amizade cega e apaixonada. Até nas próprias travessuras do
menino, as mais das vezes malignas, achava o bom do homem muita graça; não havia para ele em
todo o bairro rapazinho mais bonito, e não se fartava de contar à vizinhança tudo o que ele dizia e
fazia; às vezes eram verdadeiras ações de menino malcriado, que ele achava cheias de espírito e de
viveza; outras vezes eram ditos que denotavam já muita velhacaria para aquela idade, e que ele
julgava os mais ingênuos do mundo.
Era isto natural em um homem de uma vida como a sua; tinha já 50 e tantos anos, nunca
tinha tido afeições; passara sempre só, isolado; era verdadeiro partidário do mais decidido celibato.
Assim à primeira afeição que fora levado a contrair sua alma expandiu-se toda inteira, e seu amor
pelo pequeno subiu ao grau de rematada cegueira. Este, aproveitando-se da imunidade em que se
achava por tal motivo, fazia tudo quanto lhe vinha à cabeça.
Umas vezes sentado na loja divertia-se em fazer caretas aos fregueses quando estes se
estavam barbeando. Uns enfureciam-se, outros riam sem querer; do que resultava que saíam muitas
vezes com a cara cortada, com grande prazer do menino e descrédito do padrinho. Outras vezes
escondia em algum canto a mais afiada navalha do padrinho, e o freguês levava por muito tempo
com a cara cheia de sabão mordendo-se de impaciência enquanto este a procurava; ele ria-se furtiva
e malignamente. Não parava em casa coisa alguma por muito tempo inteira; fazia andar tudo numa
poeira; pelos quintais atirava pedras aos telhados dos vizinhos; sentado à porta da rua, entendia com
quem passava e com quem estava pelas janelas, de maneira que ninguém por ali gostava dele. O
padrinho porém não se dava disto, e continuava a querer-lhe sempre muito bem. Gastava às vezes as
noites em fazer castelos no ar a seu respeito; sonhava-lhe uma grande fortuna e uma elevada
posição, e tratava de estudar os meios que o levassem a esse fim. Eis aqui pouco mais ou menos o
fio dos seus raciocínios. Pelo ofício do pai... (pensava ele) ganha-se, é verdade, dinheiro quando se
tem jeito, porém sempre se há de dizer:-ora, é um meirinho!... Nada... por este lado não... Pelo meu
ofício... Verdade é que eu arranjei-me (há neste arranjei-me uma história que havemos de contar),
porém não o quero fazer escravo dos quatro vinténs dos fregueses... Seria talvez bom mandá-lo ao
estudo... porém para que diabo serve o estudo? Verdade é que ele parece ter boa memória, e eu
podia mais para diante mandá-lo a Coimbra... Sim, é verdade... eu tenho aquelas patacas; estou já
velho, não tenho filhos nem outros parentes... mas também que diabo se fará ele em Coimbra?
licenciado não: é mau oficio; letrado? era bom... sim, letrado... mas não; não, tenho zanga a quem
me lida com papéis e demandas... Clérigo?... um senhor clérigo é muito bom... é uma coisa muito
séria... ganha-se muito... pode vir um dia a ser cura. Está dito, há de ser clérigo... ora, se há de ser;
hei de ter ainda o gostinho de o ver dizer missa... de o ver pregar na Sé, e então hei de mostrar a
toda esta gentalha aqui da vizinhança que não gosta dele que eu tinha muita razão em lhe querer
bem. Ele está ainda muito pequeno, mas vou tratar de o ir desasnando aqui mesmo em casa, e
quando tiver 12 ou 14 anos há de me entrar para a escola.
Tendo ruminado por muito tempo esta idéia, um dia de manhã chamou o pequeno e
disse-lhe:
— Menino, venha cá, você está ficando um homem (tinha ele 9 anos); é preciso que
aprenda alguma coisa para vir um dia a ser gente; de segunda-feira em diante (estava em
quarta-feira) começarei a ensinar-lhe o bê-a-bá. Farte-se de travessuras por este resto da semana.
O menino ouviu este discurso com um ar meio admirado, meio desgostoso, e respondeu:
— Então eu não hei de ir mais ao quintal, nem hei de brincar na porta?
— Aos domingos, quando voltarmos da missa...
— Ora, eu não gosto da missa.
O padrinho não gostou da resposta; não era bom anúncio para quem se destinava a ser padre;
mas nem por isso perdeu as esperanças.
O menino tomou bem sentido nestas palavras do padrinho: “Farte-se de travessuras por este
resto da semana”, e acreditou que aquilo era uma licença ampla para fazer tudo quanto de bom e de
mau lhe lembrasse durante o tempo que ainda lhe restava de folga. Levou pois todo o dia em uma
desenvoltura assustadora; o padrinho foi achá-lo por duas ou três vezes a cavalo em cima do muro
que dividia o quintal da casa do vizinho, em grande risco de precipitar-se.
Ao anoitecer, estando sentado à porta da loja, viu ao longe no princípio da rua um
acompanhamento alumiado pela luz de lanternas e tochas, e ouviu padres a rezarem; estremeceu de
alegria e pôs-se em pé de um salto. Era a via-sacra do Bom Jesus.
Há bem pouco tempo que existiam ainda em certas ruas desta cidade cruzes negras pregadas
pelas paredes de espaço em espaço.
Às quartas-feiras e em outros dias da semana saía do Bom Jesus e de outras igrejas uma
espécie de procissão composta de alguns padres conduzindo cruzes, irmãos de algumas irmandades
com lanternas, e povo em grande quantidade; os padres rezavam e o povo acompanhava a reza. Em
cada cruz parava o acompanhamento, ajoelhavam-se todos, e oravam durante muito tempo. Este
ato, que satisfazia a devoção dos carolas, dava pasto e ocasião a quanta sorte de zombaria e de
imoralidade lembrava aos rapazes daquela época, que são os velhos de hoje, e que tanto clamam
contra o desrespeito dos moços de agora. Caminhavam eles em charola atrás da procissão,
interrompendo a cantoria com ditérios em voz alta, ora simplesmente engraçados, ora pouco
decentes; levavam longos fios de barbante, em cuja extremidade iam penduradas grossas bolas de
cera. Se ia por ali ao seu alcance algum infeliz, a quem os anos tivessem despido a cabeça dos
cabelos, colocavam-se em distancia conveniente, e escondidos por trás de um ou de outro,
arremessavam o projétil que ia bater em cheio sobre a calva do devoto; puxavam rapidamente o
barbante, e ninguém podia saber donde tinha partido o golpe. Estas e outras cenas excitavam
vozeria e gargalhadas na multidão.
Era a isto que naqueles devotos tempos se chamava correr a via-sacra.
O menino, como já dissemos, estremecera de prazer ao ver aproximar-se a procissão.
Desceu sorrateiramente a soleira, e sem ser visto pelo padrinho colocou-se unido à parede entre as
duas portas da loja, levantando-se na ponta dos pés para ver mais a seu gosto.
Vinha aproximando-se o acompanhamento, e o menino palpitava de prazer. Chegou mesmo
defronte da porta; teve ele então um pensamento que o fez estremecer; tornou-se a lembrar das
palavras do padrinho: “farte-se de travessuras”; espiou para dentro da loja, viu-o entretido, deu um
salto do lugar onde estava, misturou-se com a multidão, e lá foi concorrendo com suas gargalhadas
e seus gritos para aumentar a vozeria. Era um prazer febril que ele sentia; esqueceu-se de tudo,
pulou, saltou, gritou, rezou, cantou, e só não fez daquilo o que não estava em suas forças. Fez
camaradagem com dois outros meninos do seu tamanho que também iam no rancho, e quando deu
acordo de si estava de volta com a via-sacra na igreja do Bom Jesus.

publicado por portucalia às 12:26

Janeiro 06 2013

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, se reuniu com o ator Gérard Depardieu, a quem concedeu nessa quinta-feira (3) a cidadania russa, informa hoje (6) o Canal Um deste país.

Dmitri Peskov, porta-voz do presidente, informou também que o ator recebeu seu novo passaporte russo.

Peskov detalhou que Putin e Depardieu abordaram as questões de um filme sobre Grigori Rasputin protagonizado pelo ator, agora cidadão da Rússia.

As imagens divulgadas pela televisão russa mostram os dois se abraçando durante uma reunião em Sochi, cidade balneário que acolherá os Jogos Olímpicos de 2014.

Depardieu, que tinha expressado seu desejo de renunciar à cidadania francesa por causa da decisão do Governo de seu país de elevar para 75% os impostos aos mais ricos, chegou a Moscou ontem à noite para se reunir com Putin, por quem anteriormente expressou sua admiração.

publicado por portucalia às 12:16

Janeiro 06 2013

Domingo, dia 06 de Janeiro de 2013

EPIFANIA DO SENHOR, solenidade


Festa da Igreja : Epifania (ofício próprio)
Santo do dia : Dia dos Reis Magos,  Beato André Bessette, conf., +1937 

Ver comentário em baixo, ou carregando aqui 
São João Crisóstomo : Sigamos os magos 

Livro de Isaías 60,1-6.

Levanta-te e resplandece, Jerusalém, que está a chegar a tua luz! A glória do Senhor amanhece sobre ti! 
Olha: as trevas cobrem a terra, e a escuridão, os povos, mas sobre ti amanhecerá o SENHOR. A sua glória vai aparecer sobre ti. 
As nações caminharão à tua luz, e os reis ao esplendor da tua aurora. 
Levanta os olhos e vê à tua volta: todos esses se reuniram para vir ao teu encontro. Os teus filhos chegam de longe, e as tuas filhas são transportadas nos braços. 
Quando vires isto, ficarás radiante de alegria; o teu coração palpitará e se dilatará, porque para ti afluirão as riquezas do mar, e a ti virão os tesouros das nações. 
Serás invadida por uma multidão de camelos, pelos dromedários de Madian e de Efá. De Sabá virão todos trazendo ouro e incenso, e proclamando os louvores do SENHOR. 


Carta aos Efésios 3,2-3a.5-6.

Irmãos: «Certamente já ouvistes falar da graça de Deus que me foi dada para vosso benefício, a fim de realizar o seu plano: 
que, por revelação, me foi dado conhecer o mistério, tal como antes o descrevi resumidamente. 
que, não foi dado a conhecer aos filhos dos homens, em gerações passadas, como agora foi revelado aos seus santos Apóstolos e Profetas, no Espírito: 
os gentios são admitidos à mesma herança, membros do mesmo Corpo e participantes da mesma promessa, em Cristo Jesus, por meio do Evangelho. 


Evangelho segundo S. Mateus 2,1-12.

Tendo Jesus nascido em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, chegaram a Jerusalém uns magos vindos do Oriente. 
E perguntaram: «Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo.» 
Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes perturbou-se e toda a Jerusalém com ele. 
E, reunindo todos os sumos sacerdotes e escribas do povo, perguntou-lhes onde devia nascer o Messias. 
Eles responderam: «Em Belém da Judeia, pois assim foi escrito pelo profeta: 
E tu, Belém, terra de Judá, de modo nenhum és a menor entre as principais cidades da Judeia; porque de ti vai sair o Príncipe que há-de apascentar o meu po

vo de Israel.» 
Então Herodes mandou chamar secretamente os magos e pediu-lhes informações exactas sobre a data em que a estrela lhes tinha aparecido. 
E, enviando-os a Belém, disse-lhes: «Ide e informai-vos cuidadosamente acerca do menino; e, depois de o encontrardes, vinde comunicar-mo para eu ir também prestar-lhe homenagem.» 
Depois de ter ouvido o rei, os magos puseram-se a caminho. E a estrela que tinham visto no Oriente ia adiante deles, até que, chegando ao lugar onde estava o menino, parou. 
Ao ver a estrela, sentiram imensa alegria; 
e, entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, adoraram-no; e, abrindo os cofres, ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra. 
Avisados em sonhos para não voltarem junto de Herodes, regressaram ao seu país por outro caminho. 



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org 



Comentário ao Evangelho do dia feito por : 

São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja 
Homilias sobre o Evangelho de Mateus, n°7, 5 

Sigamos os magos

Levantemo-nos, a exemplo dos magos. Deixemos que o mundo se perturbe; nós, porém, corramos com alegria à morada do Menino. Ainda que os reis ou os povos se esforcem por nos barrar o caminho, não abrandemos o nosso fervor, afastemos todos os males que nos ameaçam. Se não tivessem visto o Menino, os magos não teriam escapado ao perigo que corriam por parte do rei Herodes. Antes de terem tido a felicidade de O contemplar, eram assaltados pelo temor, estavam rodeados de perigos e mergulhados em dificuldades; depois de O terem adorado, a calma e a segurança instalaram-se-lhes no coração. [...] 


Deixemos pois, também nós, uma cidade em desordem, um déspota sedento de sangue, todas as riquezas deste mundo, e vamos a Belém, a «casa do pão» espiritual. Se és pastor, vem ao estábulo e aí verás o Menino. Se és rei, de nada te servirão as vestes faustosas e todo o brilho da tua dignidade se não vieres. Se és um homem de ciência como os magos, de nada te servirão os teus conhecimentos se não vieres apresentar os teus respeitos. Se és um estrangeiro, ou um bárbaro, serás admitido na corte deste rei. [...] Basta vires com temor e alegria, os dois sentimentos que habitam um coração verdadeiramente cristão. [...]


Antes de vires adorar este Menino, abandona tudo aquilo que te pesa. Se és rico, deposita o teu ouro a Seus pés, ou seja, dá-o aos pobres. Estes estrangeiros vieram de muito longe para contemplar este recém-nascido; como poderás [...] recusar-te a dar alguns passos para visitar um doente ou um prisioneiro? [...] Os magos ofereceram os seus tesouros a Jesus, e tu não tens sequer um pedaço de pão para Lhe dar? (Mt 25,35ss). Quando viram a estrela, o coração encheu-se-lhes de alegria; e tu vês Cristo nos pobres, a quem tudo falta, e passas de lado, não te sentes emocionado?

publicado por portucalia às 11:34

PORTUCÁLIA é um blog que demonstra para os nossos irmãos portugueses como o governo brasileiro é corrupto. Não se iludam com o sr. Lula.Textos literários e até poesia serão buscados em vários autores.
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