PORTUCÁLIA

Janeiro 04 2013

AOS LEITORES DE PORTUCÁLIA 

este blog começará a partir desta data, 04 de janeiro, a editar romances dos grandes autores brasileiros e que caíram em domínio público.  Desta forma, os nossos leitores de Portugal e dos  países africanos que falam e escrevem a língua portuguesa poderão conhecer os grandes romancistas do Brasil.  Começo divulgando Manuel Antonio de Almeida e as " Memórias de um Sargento de Milícias"  que permite ao leitor conhecer  um pouco do Brasil Colonial e como era a vida na cidade do Rio de Janeiro.  Bom proveito e agradeço que mande um mail para o editor do blog para que ele saiba como foi recebida esta  novidade.  E-mail :   ribercor33@hotmail.com  ( Antonio Ribeiro de Almeida) Nota :  Este livro tem 48 capítulos e pedirá 48 dias de edição do blog ou seja 1 mês e 18 dias mais ou menos.  




MEMÓRIAS DE UM SARGENTO DE MILÍCIAS


 

Manuel Antonio de Almeida

 


I ORIGEM, NASCIMENTO E BATISMO


Era no tempo do rei.
Uma das quatro esquinas que formam as ruas do Ouvidor e da Quitanda, cortando-se
mutuamente, chamava-se nesse tempo-O canto dos meirinhos-; e bem lhe assentava o nome, porque
era aí o lugar de encontro favorito de todos os indivíduos dessa classe (que gozava então de não
pequena consideração). Os meirinhos de hoje não são mais do que a sombra caricata dos meirinhos
do tempo do rei; esses eram gente temível e temida, respeitável e respeitada; formavam um dos
extremos da formidável cadeia judiciária que envolvia todo o Rio de Janeiro no tempo em que a
demanda era entre nós um elemento de vida: o extremo oposto eram os desembargadores. Ora, os
extremos se tocam, e estes, tocando-se, fechavam o círculo dentro do qual se passavam os terríveis
combates das citações, provarás, razões principais e finais, e todos esses trejeitos judiciais que se
chamava o processo.
Daí sua influência moral.
Mas tinham ainda outra influência, que é justamente a que falta aos de hoje: era a influência
que derivava de suas condições físicas. Os meirinhos de hoje são homens como quaisquer outros;
nada têm de imponentes, nem no seu semblante nem no seu trajar, confundem-se com qualquer
procurador, escrevente de cartório ou contínuo de repartição. Os meirinhos desse belo tempo não,
não se confundiam com ninguém; eram originais, eram tipos, nos seus semblantes transluzia um
certo ar de majestade forense, seus olhares calculados e sagazes significavam chicana. Trajavam
sisuda casaca preta, calção e meias da mesma cor, sapato afivelado, ao lado esquerdo aristocrático
espadim, e na ilharga direita penduravam um círculo branco, cuja significação ignoramos, e
coroavam tudo isto por um grave chapéu armado. Colocado sob a importância vantajosa destas
condições, o meirinho usava e abusava de sua posição. Era terrível quando, ao voltar uma esquina
ou ao sair de manhã de sua casa, o cidadão esbarrava com uma daquelas solenes figuras que,
desdobrando junto dele uma folha de papel, começava a lê-la em tom confidencial! Por mais que se
fizesse não havia remédio em tais circunstâncias senão deixar escapar dos lábios o terrível-Dou-me
por citado.-Ninguém sabe que significação fatalíssima e cruel tinham estas poucas palavras! eram
uma sentença de peregrinação eterna que se pronunciava contra si mesmo; queriam dizer que se
começava uma longa e afadigosa viagem, cujo termo bem distante era a caixa da Relação, e durantea qual se tinha de pagar importe de passagem em um sem-número de pontos; o advogado, o
procurador, o inquiridor, o escrivão, o juiz, inexoráveis Carontes, estavam à porta de mão estendida,
e ninguém passava sem que lhes tivesse deixado, não um óbolo, porém todo o conteúdo de suas
algibeiras, e até a última parcela de sua paciência,
Mas voltemos à esquina. Quem passasse por aí em qualquer dia útil dessa abençoada época
veria sentado em assentos baixos, então usados, de couro, e que se denominavam-cadeiras de
campanha-um grupo mais ou menos numeroso dessa nobre gente conversando pacificamente em
tudo sobre que era lícito conversar: na vida dos fidalgos, nas notícias do Reino e nas astúcias
policiais do Vidigal. Entre os termos que formavam essa equação meirinhal pregada na esquina
havia uma quantidade constante, era o Leonardo-Pataca. Chamavam assim a uma rotunda e
gordíssima personagem de cabelos brancos e carão avermelhado, que era o decano da corporação, o
mais antigo dos meirinhos que viviam nesse tempo. A velhice tinha-o tornado moleirão e
pachorrento; com sua vagareza atrasava o negócio das partes; não o procuravam; e por isso jamais
saía da esquina; passava ali os dias sentado na sua cadeira, com as pernas estendidas e o queixo
apoiado sobre uma grossa bengala, que depois dos cinqüenta era a sua infalível companhia. Do
hábito que tinha de queixar-se a todo o instante de que só pagassem por sua citação a módica
quantia de 320 réis, lhe viera o apelido que juntavam ao seu nome.
Sua história tem pouca coisa de notável. Fora Leonardo algibebe em Lisboa, sua pátria;
aborrecera-se porém do negócio, e viera ao Brasil. Aqui chegando, não se sabe por proteção de
quem, alcançou o emprego de que o vemos empossado, e que exercia, como dissemos, desde
tempos remotos. Mas viera com ele no mesmo navio, não sei fazer o quê, uma certa Maria da
hortaliça, quitandeira das praças de Lisboa, saloia rechonchuda e bonitota. O Leonardo,
fazendo-se-lhe justiça, não era nesse tempo de sua mocidade mal apessoado, e sobretudo era
maganão. Ao sair do Tejo, estando a Maria encostada à borda do navio, o Leonardo fingiu que
passava distraído por junto dela, e com o ferrado sapatão assentou-lhe uma valente pisadela no pé
direito. A Maria, como se já esperasse por aquilo, sorriu-se como envergonhada do gracejo, e
deu-lhe também em ar de disfarce um tremendo beliscão nas costas da mão esquerda. Era isto uma
declaração em forma, segundo os usos da terra: levaram o resto do dia de namoro cerrado; ao
anoitecer passou-se a mesma cena de pisadela e beliscão, com a diferença de serem desta vez um
pouco mais fortes; e no dia seguinte estavam os dois amantes tão extremosos e familiares, que
pareciam sê-lo de muitos anos.
Quando saltaram em terra começou a Maria a sentir certos enojos: foram os dois morar
juntos: e daí a um mês manifestaram-se claramente os efeitos da pisadela e do beliscão; sete meses
depois teve a Maria um filho, formidável menino de quase três palmos de comprido, gordo e
vermelho, cabeludo, esperneador e chorão; o qual, logo depois que nasceu, mamou duas horas
seguidas sem largar o peito. E este nascimento é certamente de tudo o que temos dito o que mais
nos interessa, porque o menino de quem falamos é o herói desta história.
Chegou o dia de batizar-se o rapaz: foi madrinha a parteira; sobre o padrinho houve suas
dúvidas: o Leonardo queria que fosse o Sr. juiz; porém teve de ceder a instâncias da Maria e da
comadre, que queriam que fosse o barbeiro de defronte, que afinal foi adotado. Já se sabe que houve
nesse dia função: os convidados do dono da casa, que eram todos dalém-mar, cantavam ao desafio,
segundo seus costumes; os convidados da comadre, que eram todos da terra, dançavam o fado. O
compadre trouxe a rabeca, que é, como se sabe, o instrumento favorito da gente do ofício. A
princípio o Leonardo quis que a festa tivesse ares aristocráticos, e propôs que se dançasse o minuete
da corte. Foi aceita a idéia, ainda que houvesse dificuldade em encontrarem-se pares. Afinal
levantaram-se uma gorda e baixa matrona, mulher de um convidado; uma companheira desta, cuja
figura era a mais completa antítese da sua; um colega do Leonardo, miudinho, pequenino, e com
fumaças de gaiato, e o sacristão da Sé, sujeito alto, magro e com pretensões de elegante. O
compadre foi quem tocou o minuete na rabeca; e o afilhadinho, deitado no colo da Maria,
acompanhava cada arcada com um guincho e um esperneio. Isto fez com que o compadre perdesse
muitas vezes o compasso, e fosse obrigado a recomeçar outras tantas.Depois do minuete foi desaparecendo a cerimônia, e a brincadeira aferventou, como se dizia
naquele tempo. Chegaram uns rapazes de viola e machete: o Leonardo, instado pelas senhoras,
decidiu-se a romper a parte lírica do divertimento. Sentou-se num tamborete, em um lugar isolado
da sala, e tomou uma viola. Fazia um belo efeito cômico vê-lo, em trajes do oficio, de casaca,
calção e espadim, acompanhando com um monótono zum-zum nas cordas do instrumento o
garganteado de uma modinha pátria. Foi nas saudades da terra natal que ele achou inspiração para o
seu canto, e isto era natural a um bom português, que o era ele. A modinha era assim: Quando
estava em minha terra, Acompanhado ou sozinho, Cantava de noite e de dia Ao pé dum copo de
vinho!
Foi executada com atenção e aplaudida com entusiasmo; somente quem não pareceu dar-lhe
todo o apreço foi o pequeno, que obsequiou o pai como obsequiara ao padrinho, marcando-lhe o
compasso a guinchos e esperneios. À Maria avermelharam-se-lhe os olhos, e suspirou.
O canto do Leonardo foi o derradeiro toque de rebate para esquentar-se a brincadeira, foi o
adeus às cerimônias. Tudo daí em diante foi burburinho, que depressa passou à gritaria, e ainda
mais depressa à algazarra, e não foi ainda mais adiante porque de vez em quando viam-se passar
através das rótulas da porta e janelas umas certas figuras que denunciavam que o Vidigal andava
perto.
A festa acabou tarde; a madrinha foi a última que saiu, deitando a bênção ao afilhado e
pondo-lhe no cimeiro um raminho de arruda.

publicado por portucalia às 15:53

Janeiro 04 2013

Um estudo de pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), nos Estados Unidos, indica a Via Láctea é o lar de pelo menos 100 bilhões de planetas. A equipe fez a estimativa ao analisar o sistema de uma estrela chamada de Kepler-32 e que, segundo os cientistas, é representativo, pois é como a maioria dos sistemas planetários ao longo de nossa galáxia.

"Existem pelo menos 100 bilhões de planetas na galáxia, apenas na nossa galáxia", diz John Johnson, professor de astronomia do Caltech e um dos autores da pesquisa. "Basicamente, existe um desses planetas por estrela", complementa Jonathan Swift, líder do estudo.

Outros estudos já estimaram o número de pelo menos um por estrela, mas segundo o Caltech, este é o primeiro a analisar um sistema de estrela anã-M, que representa a maior parte da população planetária conhecida. O sistema que foi pesquisado tem cinco planetas e foi comparado com outros também descobertos pelo telescópio Kepler, da Nasa.

Curiosamente, esses grupos são muito diferentes do Sistema Solar. O de Kepler 32, por exemplo, é muito mais frio - sua estrela tem apenas metade da massa e metade do raio do Sol. Seus planetas têm entre 0,8 e 2,7 o tamanho da Terra e orbitam muito próximo de sua estrela - todos eles caberiam em um décimo de uma unidade astronômica, ou um terço da distância de Mercúrio ao Sol.

Isso significa, segundo Johnson, que o Sistema Solar não é uma regra, mas sim a exceção na Via Láctea. "É um esquisitão", diz o astrônomo. Contudo, apesar dessa proximidade dos planetas de sua estrela, isso não significa que eles são quentes demais. No caso de Kepler 32, um deles está na chamada zona habitável, onde a água pode existir em estado líquido (essencial à vida como conhecemos), e em muitos sistemas parecidos a situação é a mesma, afirmam os cientistas. 

publicado por portucalia às 15:39

Janeiro 04 2013

Sexta-feira, dia 04 de Janeiro de 2013

Féria do Tempo Natal (4 de Janeiro)


Santo do dia : Santa Isabel Ana Seton, rel. fundadora, +1821,  Beata Ângela de Foligno, viúva, +1390 

Ver comentário em baixo, ou carregando aqui 
Rupert de Deutz : «Pondo o olhar em Jesus, que passava» 

1ª Carta de S. João 3,7-10.

Meus filhos, ninguém vos engane. Quem pratica a justiça é justo, como Ele, que é justo. 
Quem comete o pecado é do diabo, porque o diabo peca desde a origem. Para isto se manifestou o Filho de Deus: para destruir as obras do diabo. 
Todo aquele que nasceu de Deus não comete pecado, porque um germe divino permanece nele; e não pode pecar, porque nasceu de Deus. 
Nisto é que se distinguem os filhos de Deus e os filhos do diabo: todo aquele que não pratica a justiça não é de Deus, nem aquele que não ama o seu irmão. 


Evangelho segundo S. João 1,35-42.

Naquele tempo, estava João Baptista com dois dos seus discípulos. 
Então, pondo o olhar em Jesus, que passava, disse: «Eis o Cordeiro de Deus!» 


Ouvindo-o falar desta maneira, os dois discípulos seguiram Jesus. 
Jesus voltou-se e, notando que eles o seguiam, perguntou-lhes: «Que pretendeis?» Eles disseram-lhe: «Rabi que quer dizer Mestre onde moras?» 
Ele respondeu-lhes: «Vinde e vereis.» Foram, pois, e viram onde morava e ficaram com Ele nesse dia. Eram as quatro da tarde. 
André, o irmão de Simão Pedro, era um dos dois que ouviram João e seguiram Jesus. 
Encontrou primeiro o seu irmão Simão, e disse-lhe: «Encontrámos o Messias!» que quer dizer Cristo. 
E levou-o até Jesus. Fixando nele o olhar, Jesus disse-lhe: «Tu és Simão, o filho de João. Hás-de chamar-te Cefas» que significa Pedra. 



Da Bíblia Sagrada - Edição dos Franciscanos Capuchinhos - www.capuchinhos.org 



Comentário ao Evangelho do dia feito por : 

Rupert de Deutz (c. 1075-1130), monge beneditino 
Homilia sobre o evangelho de João 

«Pondo o olhar em Jesus, que passava»

João Baptista estava de pé com dois dos seus discípulos quando Jesus passou. Trata-se efectivamente de uma atitude corporal, mas que traduz algo da missão de João, da veemência da sua palavra e da sua acção. Mas segundo o evangelista trata-se também, mais profundamente, de uma tensão sempre presente no profeta. João não se contentava em cumprir exteriormente o seu papel de precursor; mantinha sempre vivo no seu coração o desejo do Senhor que havia reconhecido no Seu baptismo. [...] João estava, sem dúvida, totalmente voltado para Nosso Senhor. Desejava revê-Lo, porque ver Jesus era a salvação para aquele que O confessava, a glória para aquele que O anunciava, a alegria para aquele que O mostrava. João estava em pé, cheio do ardor do seu coração; mantinha-se direito, esperando Cristo, ainda dissimulado pela sombra da Sua humildade. [...]


Com João estavam dois dos seus discípulos, de pé como o seu mestre, premissas daquele povo preparado pelo percursor, não para ele mas para o Senhor. Vendo Jesus que passava, João disse: «Eis o Cordeiro de Deus». Reparai nos termos deste relato: à primeira vista, tudo é claro; mas para aqueles que lhe descobrem o sentido profundo, tudo está cheio de mistério. «Jesus passava»: que quer isto dizer, senão que o Filho de Deus veio partilhar a nossa natureza de homem que passa, que muda? Ele, que os homens não conheciam, dá-Se a conhecer e amar ao passar entre nós. Ele veio no seio da Virgem; depois, passou do seio de Sua mãe para o presépio, do presépio para a cruz, da cruz para o túmulo e do túmulo subiu de novo ao céu. [...] Também o nosso coração, se aprender a desejar Jesus como João, reconhecerá Jesus que passa; e se O seguir, chegará como os discípulos ao local que Jesus habita — ao mistério da Sua divindade.




publicado por portucalia às 15:30

PORTUCÁLIA é um blog que demonstra para os nossos irmãos portugueses como o governo brasileiro é corrupto. Não se iludam com o sr. Lula.Textos literários e até poesia serão buscados em vários autores.
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