PORTUCÁLIA

Agosto 10 2012

'Jeitinho brasileiro me ajudou', diz executivo de missão da Nasa
08 de agosto de 2012  16h45  atualizado às 17h37

Brasileiro participa da missão que levou a sonda Curiosity a Marte. Foto: Ramon De Paula/Arquivo Pessoal/BBC Brasil

Brasileiro participa da missão que levou a sonda Curiosity a Marte
Foto: Ramon De Paula/Arquivo Pessoal/BBC Brasil

Natural de Guaratinguetá, no interior de São Paulo, e trabalhando na Nasa há quase três décadas, Ramon de Paula, 59 anos, é um dos três brasileiros envolvidos na missão da agência espacial americana que levou o jipe-robô Curiosity a Marte nesta semana.

Vivendo nos Estados Unidos desde os 17 anos, o engenheiro é um dos executivos nas missões de Marte no quartel-general da Nasa em Washington. Como um dos chefes desses programas, tem entre suas principais atribuições resolver problemas técnicos e burocráticos.

Ele comemorou o sucesso da missão Mars Science Laboratory quando o jipe-robô Curiosity tocou o solo do "planeta vermelho" na última segunda-feira. "Foi um alívio, um momento muito, muito emocional", diz De Paula, em entrevista à BBC Brasil.

"Tivemos algumas questões nas últimas três semanas, mas não poderíamos mais adiar a descida", acrescenta. "Foi uma sensação de dever cumprido, de ter ultrapassado dificuldades e momentos de muita pressão. Foram US$ 2,5 bilhões, a missão para Marte mais cara até hoje."

O brasileiro celebrou ao lado de mais de mil cientistas, engenheiros e técnicos envolvidos na missão, e disse que o momento de alegria fez valer a pena todo o esforço dos últimos anos. Além dele, mais dois brasileiros integram a missão: Jaqueline Lyra e Nilton Rennó.

"O 'marco' histórico dessa missão só vai ser conhecido daqui a cerca de dois anos, quando os dados científicos começarem a chegar", afirma o engenheiro. "Mas hoje a chegada do Curiosity a Marte já representa um passo tecnológico muito importante para a humanidade."

Para ele, que gerencia projetos que envolvem mais de 500 pessoas, o "jeitinho brasileiro" foi decisivo em sua carreira. "Ser brasileiro definitivamente me ajudou", afirma. "Minha função é achar solução para todos os problemas relacionados às missões, e tudo que aprendi no Brasil, aliado à nossa cultura foram fatores decisivos."

"Meu mantra aqui é: sempre tem um jeito de resolver o problema. Nem todas as culturas têm essa flexibilidade diante de desafios", acrescenta. De Paula conta que precisa tomar decisões a todo momento. "São avaliações de risco, aspectos políticos, técnicos, financeiros e científicos das missões. Temos de responder ao Congresso americano e à Casa Branca, por exemplo, pois são eles que decidem nosso orçamento."

publicado por portucalia às 15:47

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